segunda-feira, 18 de julho de 2011

Limbo Musical: Rock progressivo Capítulo V

Rock Progressivo Capítulo V: A queda do rock progressivo e seu renascimento
O rock progressivo fez sucesso até na Terra média

Até meados da década de setenta o rock progressivo dividiu a cena do rock com o hard rock (que na época era chamado de heavy metal, ou apenas rock and roll, por muitos). Parecia que tudo ia bem para esse rico estilo musical, até que começam a aparecer sinais de novos tempos. Um movimento musical e cultural (ou melhor, contra-cultural) chamado Punk Rock começa a surgir na Inglaterra e Estados Unidos. Na Inglaterra, principalmente os jovens filhos da classe operária e trabalhadora, estavam cheios da dificuldade econômica, da sujeira das indústrias, da hipocrisia da religião e de todo e qualquer tipo de instituição e entidade governamentais. Surgiram então os punks. Nos Eua a coisa era mais ligada à sonoridade. As bandas buscavam em seus ídolos dos anos 50 do rock and roll, do rockabilly e da surf music, e de bandas precursoras do punk, como MC5 e The Stooges, inspiração para fazer música simples em contrapartida à música mirabolante e virtuosa das bandas de rock progressivo.
Duas bandas encabeçaram esse movimento de caráter duplo, o punk rock. Essas bandas foram Ramones (nos EUA) e Sex Pistols (na Inglaterra). Muito embora haja a discussão sobre a autênticidade punk dos Sex Pistols (visto que muitos acusam o produtor/empresario da banda, Malcolm MacLarren, de "armar" a banda, não sendo ela um produto genuíno do meio em que viviam, mas sim uma criação para venda de discos), eles foram uma das primeiras bandas inglesas do estilo a aparecer na mídia e levantar a bandeira do punk rock.
De qualquer maneira o punk estourou de tal maneira que muitos jovens começaram a gostar da idéia de rebeldia, anarquismo, músicas simples e o lema "do-it yourself" (Faça você mesmo). Outro estilo musical que ajudou a destruir comercialmente o rock mais sofisticado foi a disco music. De 1975 para frente esse estilo, muito influênciado por bandas de Soul Music e Rythm and Blues, trouxe uma sonoridade totalmente dançante, tendo seus maiores expoentes grupos como KC and the Sunshine Band, Cool and the Gang, Earth Wind And Fire e Bee Gees. Até mesmo algumas bandas que chegaram a fazer música progressiva se bandearam para esse caminho, como é o caso do Chicago (alguns fãs de rock progressivo vão querer me matar, mas sim, Chicago já fez música progressiva, não adianta discutir com os fatos... algumas canções como 25 or 6 to 4, são bem progressivas).
Bom, o fato é que o rock progressivo começou a decair. Muitas bandas como Emerson Lake and Palmer, Triumvirat, Genesis e Yes começaram a amenizar seu som, ficando até mais pop/comercial do que gostariam de ser. ELP é a prova cabal disso no álbum "Love Beach" de 1978. Totalmente diferente da sonoridade complexa, cheia de energia e virtuosismo que existia em álbuns maravilhosos como "Brain Salad Surgery" ou "Tarkus".

Mas...nem tudo estava perdido.
A revolta da música mais sofisticada e menos comercial estavam por surgir com o Heavy metal. Tudo se deu início na NWOBHM (New Wave of British Heavy metal, ou em bom português, Nova Onda do Metal Britânico). Bandas como Iron Maiden, Witchfinder General, Saxon, Raven, Tank, Tokyo Blade, Angel Witch, Cloven Hoof, Diamond Head, entre outras começaram a fazer o heavy metal oitentista como conhecemos atualmente. Mas esse não é o ponto que quero chegar. Falei disso somente para traçar o panorama musical do final da década de setenta e início dos anos oitenta.

Bandas como Marillion, IQ e Pallas, começaram a resgatar a sonoridade esquecida por alguns. Mesmo não tendo a complexidade de bandas como Yes, Genesis e Gentle Giant em seu apíce, essas bandas, e outras, começaram a criar um estilo sofisticado que ficou conhecido como rock neoprogressivo. A mescla de rock and roll, hard rock, música erudita, jazz, blues e influências new wave estavam presentes. Outras bandas importantes que surgiriam nesse estilo seriam Spock's Beard, Pendragon, Magellan e Porcupine Tree (muito embora essas duas últimas tenham elementos de metal progressivo).

Marillion - Misplaced Childhood (1985)

Terceiro álbum do Marillion e considerado um dos melhores da banda. A sonoridade não é tão "setentista" como a dos discos anteriores, mas garante uma audição de qualidade e uma proposta diferente do cenário musical da época. O álbum é conceitual (muito embora eu não saiba direito qual a história do disco) e apresenta o maior sucesso da banda, "Kayleigh", que é um "trocadilho" com Kay Lee, uma ex-namorada do vocalista, o Fish. Algumas das músicas mais legais da banda, como a própria "Kayleigh", "Waterhole (Expresso Bongo)", Bitter Suite, Blind Curve e Lavender se encontram no disco.

 Pendragon - The Window of Life (1993)

Pendragon é uma das bandas de neoprogressivo que conheço que menos ouvi. Entretanto esse disco me chama muito a atenção por ter muitas caracteristicas que mostram a influência de bandas setentistas, como Genesis, mas mantendo elementos de originalidade da banda. Posso dar destaque as músicas como "The Walls of Babylon", "Ghosts" e "The Last Man on Earth". Todas músicas compridas, sendo a menor "Ghosts", com mais de oito minutos.

Spock's Beard - V (2000)

Poderia falar do álbum de estréia dessa banda "The Light" de 1995, do segundo disco "Beware the darkness" de 1996, ou do disco conceitual "Snow" de 2002, que muito lembra o clássico do Genesis, "The Lamb lies down on the Broadway". Entretanto irei comentar o que considero como melhor disco dessa ótima banda. V, lançado em 2000. Apesar do Spock's Beard ser geralmente classificado como banda de progressivo sinfônico, sua sonoridade não remete tanto a década de sententa, tendo a banda uma sonoridade mais moderna, o que não é ruim, pois não me refiro a "frescuras" modernas, como elementos eletrônicos, mas sim a essência das músicas. O disco tem dois grandes épicos "At the end of the day", um dos maiores clássicos da banda, com cerca de 16 minutos e The Great Nothing, que passa de 27 minutos. Entre essas duas perolas do progressivo moderno temos 4 músicas "mais tranquilas". "Revelation", "Toughts (Part II)" , "All on a Sunday" e "Goodbye to yesterdays". Tirando "Revelation", que tem um clima bem space rock, as outras são espécies de baladas de rock, mas de muita qualidade, sendo principalmente "Thoughs (Part II)" e "All on a sunday" destaques, pela beleza e complexidade.


IQ - Ever (1993)

Considero os dois melhores trabalhos do IQ os discos: The Wake de 1985 e Ever de 1993. Escolhi falar um pouco do Ever por ser a obra mais completa e essencial do IQ. Não há muito o que se falar desse disco. Ouvi pouco do IQ, entretanto Ever ficou na minha mente como uma das obras mais importantes e belas do neoprogressivo. Vale destacar faixas como "The Darkest Hour", "Further Away" e "Fading Senses".
Entre tantos discos bons e ruins, alguns se sobressaem e esse é um deles.


Metal Progressivo:

Durante esse período que falamos, que surgiu o rock neoprogressivo, outro estilo muito popular atualmente entre os fãs de metal e de rock progressivo(alguns), deu as caras. Influênciados diretamente por bandas progressivas como Rush, Kansas, Yes, King Crimson, entre outras, principalmente bandas que se apoiavam muito no uso das guitarras, como as citadas, e por grupos de heavy metal setentista e oitentista, como Judas Priest, Iron Maiden, Black Sabbath, Budgie, Uriah Heep, entre outros, surgem algumas bandas fazendo música progressiva, mas nem tão progressiva assim.

Queensryche talvez tenha sido uma das bandas precursoras desse estilo, juntamente com Fates Warning.
Essas duas bandas começaram a fazer esse tipo de sonoridade em meados da década de oitenta, tendo ambas atingido um nível suficiente de "progressividade", para ser chamadas de metal progressivo, nos álbuns "Operation: Mindcrime" e "No Exit", respectivamente. Muito embora não seja possível comparar esses discos a obras de metal progressivo mais moderno, como "The Human Equation" do Ayreon, "Remedy Lane" do Pain of Salvation, "Six Degrees of Inner Turbulence" do Dream Theater ou "The Divine Wings of Tragedy" do Symphony X, são discos que abriram as portas para o metal progressivo.




Queensryche - Operation: Mindcrime (1988)




Disco mais importante, e provavelmente o melhor, do Queensryche. Muito embora a banda só viesse a estourar nas paradas (Oooooo coisinha mais pop/mtv/comercial/malhação/adolescente/show bizz) no disco "Empire" de 1990, com o plágio...quer dizer, com a totalmente influênciada por Confortably Numb do Pink Floyd, "Silent Lucidity", o disco "Operation: Mindcrime" é a gema mais valiosa do Queensryche. É um disco conceitual, com riffs calcados no heavy metal oitentista, entretanto, com músicas complexas e uma maravilhosa influência de rock progressivo, como podemos notar em faixas como "Suite: Sister Mary", "The Mission" e "The Eyes of a Stranger".





Fates Warning - A Pleasant Shade of Grey (1997)

Esse álbum do Fates Warning divide opiniões. Alguns consideram muito denso, obscuro e difícil de ouvir. Outros consideram como o mais perfeito disco da banda. Realmente, ele é obscuro, denso e difícil de ouvir, mas isso que o torna tão intrigante. Apenas uma faixa de mais de cinquenta minutos, dividio em 12 "sub-faixas". A questão é que é um daqueles tipos de disco que dificilmente você irá captar toda a essência da música em apenas uma "ouvida". Tem que pegar as letras, sentar e ouvir com atenção e tentar entender a proposta da banda. Considero uma das maiores pérolas do metal progressivo.

Dream Theater - Images and Words (1992)

Embora o DT já tivesse lançado um disco antes "When a dream and day unite" em 1989, com outro vocalista, esse álbum (que marca a estréia do tão amado e odiado James LaBrie) é o pontapé inicial do que o DT viria a se tornar. Muitos acusam a banda de ser virtuosa ao extremo, que seus discos são meros exercícios musicais com letras, e todo esse tipo de baboseira de quem não consegue compreender a progressão e a harmônia da música do Dream Theater. Contudo esse álbum é o apogeu do rock progressivo e também o arquetipo de todas as bandas posteriores. Pode anotar, quando se fala de metal progressivo a primeira banda que vem na cabeça é Dream theater e a sonoridade que lembramos são as de músicas como "Metropolis - Part I: The Miracle and the Sleeper", "Take the Time" ou "Learning to Live". Sem mais o que dizer desse disco que para mim é o mais importante do metal progressivo!

Ayreon - The Human Equation (2004)

Ayreon é uma banda, aliás, um projeto, do compositor e músico holândes Arjen Anthony Lucassen. Desde 1995 ele lança discos sob o nome Ayreon, sempre com convidados fazendo parte da "banda", e são sempre nomes ilustres do rock e do metal. Nomes que vão de James LaBrie do Dream Theater, a Bruce Dickinson do Iron Maiden, e Fish do Marillion à Devin Townsend do Strapping Young Lad (que também foi vocal do disco "Sex and Religion" do Steve Vai). Todos os discos do Ayreon são conceituais. Esse em questão trata em vinte faixas (como se fossem dias) a vida de um homem que está em coma. Suas frustações, seus sentimentos, e como tudo afeta seu estado, tanto interna como externamente.  A sonoridade vai do metal mais pesado e atual até a influências de folk progressivo, como jethro tull.


Gostaria de falar de outros álbuns aqui... Existem pelo menos mais dois clássicos do metal progressivo que nunca poderia deixar de falar. São "The Perfect Element Par I" do Pain of Salvation e "The Divine Wings of Tragedy" do Symphony X. Fica a dica desse dois discos também.

Galera, próximo post vamos continuar nossa saga progressiva... Até mais!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Limbo Musical: Rock progressivo Capítulo IV

Rock progressivo: Capítulo IV O rock progressivo fora da Inglaterra
No capítulo anterior de nossa saga progressiva abordei um pouco sobre o cenário britânico, algumas das bandas mais importantes e populares do genêro. Assim como cada estilo musical tem um país no qual se originou ou tornou-se mais popular é o mesmo com o progressivo. Tendo como berço a Grã-Bretanha, mais precisamente a Inglaterra, existem destaques de cenasa riquissimas fora desse país. Os maiores destaques vão para Itália e Alemanha, mas não podemos deixar de citar países como Brasil, EUA, Japão, França entre outros, que trouxeram grandes nomes.

O progressivo na Itália

Aqueles que são estudiosos e entusiastas do rock progressivo sabem de certo que a Itália possui uma gama enorme de bandas. Algumas ficaram até bem populares, como é o caso do Premiatta Forneria Marconni e Banco dell Mutuo Soccorso. Outras bandas como Cherry Five, Jumbo, Semiramis, Museo Rosenbach, Metamorfosis, não obtiveram tanto destaque, contudo não ficam atrás nos quesitos musicalidade, progressão, sonoridade, qualidade, etc.

Não creio que se possa dizer que existe um estilo chamado Rock progressivo italiano, visto que quase todas as bandas italianas utilizam-se de sub-estilos já consagrados como o rock progressivo sinfônico, o fusion jazz, o hard rock, entre outros... Todavia a sonoridade dessas bandas costuma ser única, com uma densidade muito grande. E o mais legal, na minha humilde opinião, é a escolha das bandas de cantarem em sua língua pátria. Em uma época que a moda era cantar em inglês para atingir um público maior, esses grupos escolheram utilizar sua lingua natal, sem medo de "passar vergonha".

Agora chega de papo sobre prog italiano. Irei recomendar alguns dos meus discos favoritos desse cenário tão rico:

1973 - Museo Rosenbach - Zarathustra

Talvez um dos discos mais obscuros da história do rock, que por contradição, tem se tornado muito popular entre os fãs de progressivo devido a internet. Maior que sua obscuridade é sua qualidade. Sendo um album progressivo é de se esperar um clima mais denso, variações de tempo, ritmo e arranjos complexos. Porém esse grupo vai além e mostra que a música é sim uma das formas mais complexas de arte. A primeira faixa ocupa o lado A inteiro da bolacha com a música "Zarathustra" de mais de vinte minutos. O conceito da canção é baseado no livro "Assim falou zaratustra" de Friederic Niezstche. O segundo lado do disco conta com outras grandes três faixas. A sonoridade é baseada nas guitarras pesadas, bem hard rock. Não tem tantos riffs marcantes, porém os fraseados e solos são de deixar o ouvinte de queixo caído. O teclado é um show a parte, denso e "pesado". Os vocais variam de gritos agressivos e "rasgados" a momentos mais suaves e melódicos. A cozinha é o menor destaque, fazendo seu trabalho com competência, porém sem um grande destaque. O disco é o único lançamento desse grupo na década de setenta, sendo que a banda lançaria seu segundo album quase vinte anos depois do primeiro.

Confiram nesse link uma resenha mais detalhada que eu fiz sobre a banda em um blog de um camarada, o Gustavão (Abraço garoto): http://rockarquivodois.blogspot.com/2010/07/museo-rosenbach-zarathustra-1973.html

1972 - Premiata forneria marconi - Per um Amico
Talvez a mais popular banda progressiva da Itália, e uma das melhores. Esse disco demonstra toda a qualidade do grupo e é considerado um dos melhores do conjunto. A mistura perfeita de sonoridades pesadas do hard rock a sofisticação da música erudita e do jazz faz com que esse lp seja um dos maiores discos da história da Itália. Destaques vão para a faixa de abertura do disco "Appena Un Po", “Generale” e “Per Un Amico”. Não desmerecendo as faixas restantes, entretanto essas três demonstram que são algo além de simplesmente músicas maravilhosas, são músicas geniais.



1972 - Banco del Mutuo Soccorso - Darwin


Um disco conceitual de uma das bandas mais "estranhas" (no bom sentido) da Itália. O conceito gira em torno das teorias de Darwin, sua história e principalmente da teoria da evolução das espécies. Musicalmente é um álbum riquissimo, um pouco "estranho" (Já falei, no bom sentido) se comparado a outras bandas, mas com muita qualidade. O grande destaque é o trabalho nos
teclados que vão muito além do álbum de estréia da banda, mostrando que a banda fez a lição de casa e soube usar sintetizadores de maneira eficaz, criando ambientes sonoros de muita qualidade e maestria.Destaque para as faixas " L'Evoluzione", "750,000Anni Fa..L Amore?", "La Conquista Della Posizione Eretta" e "Ed Ora Io Domando Tempo Al Tempo Ed Egli Mi Risponde ... Non Ne Ho!".




1973 - Semiramis - Dedicato a Frazz



Um dos discos com a capa mais estranha e feia (e olha que eu adoro essa capa) que já vi na vida. Entretanto o som é inversamente proporcional, uma das sonoridades mais completas e belissimas, muito embora seja o único disco dessa maravilhosa banda. Antes de continuar quero fazer um comentário. Tornou-se, até algum tempo atrás, exacerbar esse álbum, tanto devido a qualidade, quanto devido a obscuridade do som e da banda. Tornou-se um tipo de clássico esquecido. Agora existe outra vertente de pensamento, dizer que é um disco superestimado, que é bom, mas não é lá grande coisa. Bom, a meu ver ambas as vertentes de pensamento estão equivocada. Não é o melhor disco de todos os tempos, mas com certeza também não é um disco de se jogar fora, e diria até mais, é um dos grandes clássicos italianos esquecidos realmente.
O interessante é a perfeita harmônia de peso e melodia. As guitarras são bem pesadas para um trabalho de 1973 de uma banda que não é heavy metal (assim com Black Sabbath era na época). A sonoridade é bastante diversificada, embora em alguns momentos algumas músicas se tornem um pouco redundantes, mas nada que faça você achar que está ouvindo a mesma faixa diversas vezes. Em suma, um ótimo disco, altamente recomendado.


Agora vamos falar um pouco de um outro país... Alemanha.


A Alemanha sempre foi um país de destaque no cenário mundial. Seja por ter se envolvido de cabeça em 2 grandes guerras, ter sido palco de uma das maiores desgraças do século XX (não falo do Curintias, nem do governo do George W.Bush, mas sim do Regime Nazista), ter um "muro das lamentações" moderno (Muro de Berlim, óbvio), ou por fabricar o carro favorito dos "boys" do começo do século XXI (esse eu nem vou comentar).
Mas a Alemanha também teve um rico cenário musical, principalmente quando se trata de música progressiva. Alguns destaques maiores vão para bandas como Triumvirat, Eloy, Kraftwerk, Tangerine Dream, Can, Amol Dü II, entre outras.
A sonoridade de algumas, como as três últimas citadas se encaixa no Krautrock, sub-estilo experimental que visava criar um novo tipo de cultura musical na Alemanha. O nome krautrock, a principio, era uma ofensa dos críticos. Krautrock é uma palavra que faz uma espécie de trocadilho com chucrute (repolho cozido), querendo dizer repolho estragado, ou algo do tipo. Entretanto o termo acabou sendo adotado como classificação para essas bandas.

Bom, chega de conversa fiada, vamos para os destaques:

1974 - Kraftwerk - Autobahn

Uma banda única para sua época. A sonoridade do Kraftwerk é eletrônica, sendo uma das bandas precursoras dos estilos de música eletrônica e techno surgidos a partir do fim dos anos oitenta e começo dos noventa. Entretanto as semelhanças cessam nesse ponto. Kraftwerk segue a linha experimental do krautrock, e esse disco é considerado a obra-prima da banda. A faixa-título ocupa inteira o lado A do disco. Ela é grande, mas não é tão épica ou variada. O conceito por trás dessa música é apresentar uma espécie de "trilha sonora" para uma estrada, tentando induzir o ouvinte a acreditar que está viajando na auto-estrada. O segundo lado do disco contém músicas mais curtas, mesclando trechos bem sombrios e soturnos a passagens mais alegres, sendo que esse lado é inteiramente instrumental.

1977 - Eloy - Ocean

Melhor disco dessa banda muito boa. Inevitavel as comparações feitas a grandes icones como Genesis, Pink Floyd ou Yes, entretanto a banda se mostra original, mesmo que bebendo da fonte dessas bandas já citadas. A sonoridade varia do sinfônico ao "space rock", e o conceito por trás do disco é algo como a ascenção e queda de Atlantida. Não há muito o que falar desse disco a não ser que é um dos mais completos e melhores discos de rock progressivo alemão.

1975 - Triumvirat - Spartacus
Triumvirat sempre foi comparada ao super-grupo Emerson, Lake and Palmer. Muito embora eu veja as semelhanças por conta de ambas as bandas se basearem em trios, não usarem guitarras (na maior parte das músicas) e focarem muito no teclado, sintetizadores e orgãos, ainda sim creio que existam diferenças atenuantes. Enquanto o ELP foca muito no virtuosismo de seus músicos e em muitas vezes na "agressividade" das faixas e no tamanho delas, o Triumvirat se foca mais nas melódias e nas repetições e variações de temas (um recurso do rock progressivo que eu gosto muito). Escolhi esse disco, Spartacus, que considero o mais equilibrado da banda, mesmo meu favorito sendo "Illusions on a double dimple", álbum anterior do conjunto. Spartacus conta a história do gladiador-escravo de mesmo nome que liderou uma rebelião contra os romanos em torno de 70 a.c. Quanto a sonoridade temos belissimas músicas como "The Capital of power", "The School of instant Pain", "The Hazy shades of dawn" e "Spartacus", sendo essas músicas os maiores destaques. Não é um disco com guitarras pesadas, contudo as melódias são tão bem feitas que acabam suprindo essa necessidade.

1974 - Tangerine Dream - Phaedra

Tangerine Dream é uma banda de krautrock que teve diversas fases. A mais aplaudida e considerada a melhor pelos fãs é a de meados da década de setenta. Phaedra é considerado a obra máxima do grupo pela maioria. Um disco que pessoalmente considero denso, mas de certa maneira calmo e relaxante em muitos momentos. Ao contrário de outras bandas como ELP, Triumvirat, Genesis, Yes, etc... Não há aquele momento frenético, vulgarmente chamado de "fritação". É um som bem introspectivo. Diferente dos discos anteriores, voltados as influências de Pink Floyd em começo de carreira é um disco singular.


Bom, agora que acabamos de falar da Alemanha e Itália, que tal apenas destaquer grandes nomes de outros países. É esse post está longo e estou cansado.
EUA: Kansas

Para mim o maior nome do rock progressivo vindo dos USA. O melhor disco deles é com toda certeza Leftoverture. A sonoridade se assemelha mais a bandas como Rush, um hard bem progressivo. Destaques para Carry on My wayward son, Magnus Opus e The Wall.

Canadá: Rush

Uma das bandas que mais gosto. Não tem muito papo, Rush é RUSH! Pronto, acabou.

Brincadeira, não vamos ser tão superfíciais. Rush tem uma trajetória inigualável. Uma banda que se construiu com bases no rock and roll, rythm and blues e logo avançou para o rock progressivo (se bem que eles tem muito de hard rock e heavy metal, tanto que seriam as bases para o metal progressivo, abordaremos isso em outro "post"). Meu disco favorito deles? Tem tantos. Mas darei destaque para o Hemispheres, com certeza o mais progressivo da banda. Lançado em 1978 foi o último disco 100% prog do Rush, depois lançariam Moving Pictures e Permanet Waves, alcançando de vez o estrelato com Tom Sawyer e Spirit of the Radio. Mas o Hemispheres tem algumas de minhas canções favoritas. Cygnus X-2 (epico de 20 e poucos minutos) e The Threes, uma das mais belas faixas da banda.

Brasil: O terço, Casa das máquinas, Sá(,) Rodrix e Guarabyra, O Som nosso de cada dia, bacamarte, A barca do Sol, Mutantes, entre outras...

O Brasil, por incrível que pareça, teve um cenário progressivo riquissimo, e atualmente é um dos poucos países que ainda segue essa tradição (junto com a Itália e alguns outros), vendo que a moda hoje em dia é metal progressivo e não rock progressivo. Essas bandas citadas são apenas alguns destaques. Nem entrarei em mais delongas, apenas ouçam discos cabulosos como "Do A ao Z" dos Mutantes (sem a manezona da Rita Lee), "Criaturas da Noite" da banda O Terço ou o último disco ao vivo (Dvd melhor ainda) do Sá, Rodrix e Guarabyra. Rock progressivo com sonoridade totalmente brasileira. (Muito embora esse último que citei varie demais no estilo e não tenha tantas amostras de prog, mais em faixas como "Mestre Jonas" ou "Jesus numa moto").

Japão: Far East Family Band

Banda do grande nome da New Age Kitaro. Na época ele já tinha carreira solo, entretanto esse disco é de sua banda de progressivo. Sonoridade à lá Pink Floyd lá da época do Meddle ou do Atom heart Mother, porém mais rock, menos experimental, mais progressiva e mais sómbria, mais obscura. A qualidade é tanta que não tenho palavras para descrever. Ouvi esse disco, sei que a banda é do Kitaro, porém tenho dificuldades para achar mais informações. Se alguém quiser ajudar deixe um comentário ou mande um e-mail para mim. Nipponjin é o disco que ouvi deles. Destaque para o lado A do disco.

França: Jean Michel Jarre, Gong, Magma, Jean-Luc Ponty

São alguns nomes do progressivo francês. Jean Michel Jarre é o menos progressivo, mas o mais famoso. Trabalhos instrumentais, trilhas sonoras, música new age e progressivo eletrônico constam em seus trabalhos, tendo destaque Oxygen I e II. Gong e Magma são bandas singulares. Gong mais tradicional, tendo em suas influências o rock progressivo mais tradicional e o space rock. Magma por sua vez é uma banda que canta em uma língua própria criada pelo baterista, o Kobaian. A maioria de seus discos tratam de um único conceito, a ascenção, queda e colonização de outros planetas pelo povo de Kobaia. Jean-Luc Ponty por sua vez apesar de ser um virtuoso músico de Jazz é ligado diretamente ao progressivo, sendo um dos maiores violinistas da música moderna.


Bom, existem outras grandes bandas de progressivo em diversos países. Entretanto tentei resumir ao máximo isso, caso contrário poderia ter um blog exclusivamente para tratar de grupos progressivos mundo a fora.

Continuamos no próximo capítulo meus amigos.


terça-feira, 7 de junho de 2011

Limbo Musical: Rock progressivo - Capítulo III

Limbo Musical: Rock progressivo - Capítulo III Os anos dourados do rock progressivo

Não dá pra afirmar com certeza qual foi o ano, a banda, o disco, ou a música que deram o pontapé incial ao rock progressivo, quanto mais definir qual banda moldou o estilo que conhecemos hoje. Além do que o rock progressivo engloba um número enorme de sub-estilos, o rock sinfônico, o folk progressivo/folk rock, o hard rock progressivo, o neo-progressivo, o krautrock, a cena de canterbury, o r.i.o. (rock in opposition), a cena italiana da década de setenta, etc.
Tudo isso dificulta e muito analisarmos de modo linear o rock progressivo. Por isso irei me abster a mostrar o apogeu desse rico mundo musical.

Todos sabem que a banda mais popular de rock progressivo é, e provavelmente sempre será, o Pink Floyd. Não só a mais popular, como a comercialmente mais bem sucedida. Em 1970 o Pink Floyd lançou "Atom Heart Mother", que viria a ser um marco na mudança de sonoridade da banda. Ainda havia psicodelia do Piper at the gates of dawn, e o experimentalismo do Ummagumma, entretanto a sonoridade era muito mais coesa, mais equilibrada e muito bem calculada. O fato de uma orquestra participar das gravações foi um fator importante para determinar uma sonoridade peculiar ao disco, diferente das coisas anteriores lançadas pelo Pink Floyd.

Seu disco mais bem sucedido foi "Dark side of the Moon", lançado após o progressivissimo "Meddle", que contém "Echoes", a suíte que iria caracterizar a sonoridade do Pink Floyd dali adiante. DSOTM marcou a banda por dois motivos, o já mencionado sucesso comercial, ficando por mais de 14 anos na Top 200 da billboards. O outro fator marcante desse disco é a simplificação do som do Pink Floyd. Não confundam "simplificação" com "Porquisse" ou "som mal feito" ou "Menos trabalhado". Quero dizer que não haviam aquelas suítes enormes de vinte minutos, entretanto havia uma continuidade da sonoridade da faixa Echoes, um som hipnótico, suave, melódico e sofisticado.

Enquanto o Pink Floyd fazia seu rock progressivo, também chamado de space rock por alguns, devido ao alto uso de sintetizadores e sonoridades "hipnóticas" (melhor termo que consegui achar para definir a sonoridade do Pink Floyd), aspectos semelhantes aos da banda Hawkwind, que essa sim, era chamada mais comumente de space rock, outras bandas davam enfâse a uma sonoridade mais complexa e abrangente.

Genesis e Yes ficaram sendo conhecidas como duas das mais pomposas bandas da Inglaterra.
A mistura de música clássica, jazz e elementos do rock pesado faziam essas bandas serem influências para 90% de todas as outras bandas de rock progressivo que vieram depois.

Os discos, "Tresspass", "Nursery Crime", "Foxtrot" e "Selling England By The Pound" do Genesis e "Fragile", "Close to the Edge", "Relayer" e "Tales from the Topographic Oceans" do Yes, são algumas das obras de rock progressivo mais marcantes e elaboradas da década de setenta feitas na Inglaterra. Músicas de mais de vinte minutos, orquestrações, arranjos complexos e letras ora filosóficas, ora instrospectivas, ora fantasiosas, faziam tudo soar grandioso e inusitado.

Esse estilo Pomposo e épico foi bem explorado por outras duas bandas.
Emerson Lake and Palmer (mega conjunto formado por Keith Emerson, do The Nice, Greg Lake do King Crimson e Carl Palmer do Atomic Rooster) e Triumvirat. Muitas vezes essas bandas são comparadas pela sonoridade parecida, muitos teclados e influência de jazz e música erudita.
Acontece o seguinte, ambas as bandas não possuem guitarrista (ao menos em 90% de suas músicas não há guitarras). Isso cria uma visão errada de que Triumvirat é uma cópia germânica de ELP. O fato é que as duas bandas abusam da complexidade sonora, assim como Genesis e Yes, contudo, elas se diferenciam por serem muitas vezes mais "pesadas" ou "agressivas" que as bandas como Yes e Genesis. Você não irá ouvir nenhum som realmente pesado, como uma banda de Thrash metal por exemplo, mas com certeza a sonoridade de ELP é mais rispida e "bruta" que a do Yes, no geral.

Existem outras bandas muito importantes para abordarmos, mas irei me conter e falar apenas de mais cinco. King Crimson, Gentle Giant, Van Der Graaf Generator, Camel e Jethro Tull.

King Crimson talvez foi a mais "louca" e "estranha" banda de rock progressivo jamais vista na Inglaterra.Formada e "liderada" pelo eximio guitarrista Robert Fripp e pelo baterista Michael Giles, King Crimson talvez tenha definido o que viria a ser rock progressivo definitivamente.
Seu primeiro disco "In the Court of the crimson King" foi um marco, a mudança de sonoridade do psicodelismo para o progressivo foi evidente. Uma sonoridade menos "viajada" e mais "épica", desculpem esses conceitos, mas é como eu consigo explicar melhor o que quero dizer.
Sem contar que ela foi uma das bandas que influenciaria diretamente a criação do Metal progressivo do fim dos anos oitenta, com seu disco "Larks Tongues in Aspic", com muitos riffs pesadissimos e variações instrumentais pertinentes ao metal progressivo.

O Van Der Graaf Generator é uma das bandas citadas aqui que eu menos conheço, mas contraditoriamente é uma das que mais ouvi. Conheço apenas os discos "Still Life", "The Least we can do is weave to each other" e "Pawn Hearts", e o que mais ouvi deles foi o "Pawn Hearts", que considero uma das melhores obras já lançadas no rock progressivo. Um disco obscuro, com sonoridade variada, cheio de pianos, instrumentos de sopro e guitarras, tanto "limpas", quanto "sujas". Não tem muito o que falar de Van Der Graaf Generator, assim como desse disco maravilhoso que é "Pawn Hearts". Ouçam e confiram. Destaque para a faixa de mais de vinte minutos "A Plague of Lighthouse keepers".

Gentle Giant por sua vez não era uma banda musicalmente tão agressiva quanto o King crimson, nem tão "louca" em suas experimentações, entretanto foi uma das mais sofisticadas e complexas bandas de rock progressivo. Usarei uma frase que li na revista superinteressante para definir o Gentle Giant (praticamente a mesma frase que eles usaram): O gentle giant muitas vezes se assemelha a uma banda de outro planeta tocando música de câmara. Os álbuns Octopus e Acquiring the taste sejam talvez os discos que mais definem o som da banda.

O Camel entretanto não tinha o experimentalismo excentrico do King Crimson, nem a pompa sofisticada do Gentle Giant. Contudo eles eram uma banda redonda. Talvez a mais redonda e harmoniosa banda de rock progressivo inglês. O trabalho instrumental melódico, porém com um nível de peso adequado ao rock progressivo, com riffs e solos de guitarra perfeitos, teclados criando um clima ótimo para a música e dosando os solos com as guitarras e uma cozinha sem ter o que botar defeito. Podemos dizer que o Camel é um resumo das bandas de rock progressivo, com qualidades diferenciais também, por exemplo, uma das únicas bandas que lançou um disco instrumental que conta uma história, Snowgoose. Esse disco mostra elementos de hard rock e jazz em suas estruturas, além do bom e velho rock progressivo tradicional, se é que podemos dizer isso! Contudo a única coisa que não brilha no Camel é são as vocalizações/vocais. Mas não é nada que estrague o som, eles são bons, entretanto outras bandas são melhores nessa área especifica. Gentle Giant por exemplo.
E não sei se o nome da banda foi inspirado no cigarro Camel, entretanto existe o álbum "Mirage" (considero um dos melhores deles) que tem a capa identica ao rótulo do cigarro, só que em forma de miragem.

O Jethro Tull por sua vez é uma banda que permaneceu singular e longe de comparações com qualquer outra. Talvez pelo fato do Jethro Tull ter sido uma banda folk, com influências de blues e jazz que virou rock progressivo. Essa transação se deu de maneira lenta durante os primeiros discos da banda, mudando abruptamente a partir de 1972.
Até 1971 o folk e o jazz eram os elementos principais do som do Jethro Tull. "Stand Up", "This was" e "Benefit" mostram claramente isso, uma evolução progressiva e lenta. "Aqualung" foi um disco que marcou algumas mudanças caracteristicas na banda. Mais mudanças de tempo nas músicas, mais misturas de instrumentos e músicas mais longas. Em 1972 o lançamento de "Thick as a Brick" foi uma mudança total na sonoridade e modo de composição do Jethro Tull. ao invés das habituais nove ou dez faixas, apenas uma faixa. Duas partes, cada uma com mais ou menos vinte minutos. Sem muitas passagens acústicas como nos álbuns anteriores e muitas mudanças de tempo e variações ritimicas no disco.
Jethro Tull foi uma das bandas que mais se diferenciou nessa época e mesmo nesses álbuns mais progressivos, como "Thick as a brick", "Ministrel in the Gallery" ou "A Passion Play", mostraram-se originais e fieís a suas raízes folk.

Dezenas de bandas surgiram em outros países além da Inglaterra. As cenas mais ricas são com certeza as da Alemanha e Itália. Mas também podemos destacar Japão, EUA, Brasil e Canadá como expoentes do rock progressivo. Só que eu deixarei para o próximo capítulo dessa saga progressiva.

Ainda temos muito o que ver... e olha que eu estou sendo superficial...

Tópicos que ainda vou explorar:

- Progressivo fora da Inglaterra
- Metal Progressivo e Neo-Progressivo
- R.I.O., Cantebury, Krautrock e outras cenas diferentes
- Conceito e definições de rock progressivo
- Bandas que não são de rock progressivo, mas que fazem rock progressivo

Existem outras coisas a ser abordadas.

Limbo Musical: Rock progressivo

Rock Progressivo - Capítulo II: Da psicodélica ao período clássico.

Depois que bandas como The Beatles, The Who e Rolling Stones, começaram a fazer experimentos musicais, seja com instrumentos indianos, instrumentos de sopro e outros diferenciados do rock and roll, colagens musicais, efeitos inusitados, inversão musical (os famosos "backmasking", que muitas vezes continham até mesmo mensagens subliminares), entre outros elementos estranhos ao rock mais clássico, a musicalidade mudou. Não bastava apenas fazer música por diversão. Era tudo cultura, ou contra-cultura, dependendo do ponto de vista.

Durante essa época surgiram várias bandas que romperam com a estética padrão da arte.
Os nomes mais destacados desse período, que ficou conhecido como psicodelismo, foram The Doors, Velvet Underground, Pink Floyd, Jefferson Airplane, Ten Years After, os próprios Beatles entre outros. Numa época em que o "flower power" (a moda hippie e toda a cultura de paz e amor) estava em alta, um som "viajado", com letras ácidas, filosóficas, abstratas e instrumentais que iam do blues ao experimental, mostrando forte influência de drogas alucinógenas, como lsd, era uma forma de tentar expandir a mente dos músicos.

Essas bandas ainda não praticavam o rock progressivo como o definimos hoje, entretanto para tudo existe um princípio, e esse período de rock psicodélico, também muitas vezes chamado de proto-prog, é o cerne do que viria a ser o derradeiro rock progressivo da década de setenta.

Fica difícil definir quando o rock progressivo passou a ser progressivo por definição, assim como é difícil identificar qual foi o disco ou banda que originou o heavy metal, ou qual foi o primeiro disco de rock progressivo, como já foi abordado aqui no blog. O que acontece são divergências de opiniões e diferentes conceitos sobre o que é música progressiva. Entretanto, há esse período de transição do psicodélico para o progressivo, e a banda que mais se destaca foi o Pink Floyd. Justamente por ser a banda mais popular de prog rock de todos os tempos, será usada como modelo para muitas idéias a partir de agora.

Vejam só, o primeiro disco do P.Floyd, "The Piper at the gates of dawn", lançado em 1967, quase juntinho com o superestimado "Sgt.Peppers" do The Beatles, e com o subestimado "Days of a future past" do Moody Blues.
Psicodelia pura. Nem dá pra dizer que esse disco do Pink Floyd é rock progressivo (principalmente se comparado a sonoridade adotada pela banda alguns anos depois). Mas de qualquer maneira é um disco de rock progressivo. Psicodélico sim, progressivo, possivelmente. Acontece que na época, Syd Barrett, vocal e guitarra, era o principal compositor e "líder" da banda. Sua personalidade singular e seu alto uso de alucinógenos, influenciava diretamente a banda. Quando ele largou o grupo e David Gilmour assumiu seu papel, o grupo redirecionou sua sonoridade progressivamente, mudando suas estruturas musicais diretamente para Gilmour e Roger Waters (vocal e baixo).

Mas será que foi apenas a mudança de guitarrista que mudou o direcionamento musical da banda? Provavelmente foi um fator marcante, porém existem outras questões, como introsamento dos músicos, novas formas de pensar, novas influências, novo cenário musical, enfim.

Outra banda que teve papel importante nesse período transitório é o The Nice.
Uma banda que não teve tanto destaque quanto outras, mas que revelaria um dos maiores nomes do rock progressivo, Keith Emerson, que alguns anos depois fundaria o mega grupo, Emerson Lake and Palmer.
The Nice foi um grupo britânico que fez a transição do piscodelismo proto-prog para o rock progressivo de modo natural e perfeito.

Enfim, esse capítulo poderia até render mais algumas linhas, entretanto irei me abster por enquanto, guardando mais informações para o terceiro capítulo.

Próximo capítulo: Rock progressivo: Capítulo III: Os anos dourados do rock progressivo

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Osama Bin Laden, Barack Obama, Estados Unidos da América e toda a verdade (ou não) sobre a CONSPIRAÇÃO! (ou não)





Barack Obama, Bin Laden e a guerra ao terror: Um questionamento válido


Olá meus amigos, o mundo está em polvorosa com a notícia da morte do terrorista Osama Bin Laden. Venho com este artigo tentar levantar alguns pontos sobre Osama Bin Laden, Barack Obama, a guerra ao terror, hipocrisia e a história norte-americana.
Em primeiro lugar, gostaria de deixar claro que o que vou postar é apenas um monte de informações coletadas na internet, questionamentos meus, de outros, pensamentos e criticas etc... Nada que tenha valor didático ou educacional, nada para se calcar em estudos. Apenas um assunto interessante que resolvi comentar.


Bom, domingo dia 01 de maio, dia do trabalho... Feriado em pleno domingão, ninguém merece, certo? Então, ai que me deparo com uma notícia. O terrorista temido por todos, o bicho papão dos EUA, o carrasco do onze de setembro, Osama Bin Laden, está morto!

Bom, segundo as fontes oficiais norte-americanas, ele foi morto em combate, durante uma ação das tropas dos Estados Unidos da América, levou dois tiros, um na cabeça, outro no peito. Seu corpo? Foi jogado no mar. Fotos de seu corpo? Uma veio a tona em uma rede de tv paquistanesa. Falsa, segundo o jornal inglês “The Guardian”. Uma foto dele de 1998, “fotoshopizada” com uma foto de algum caboclo morto. O link dessa matéria é esse:

http://www.midiamax.com/Mundo/noticias/751698-imagem+bin+laden+morto+uma+farsa+revela+jornal+ingles.html

E existe outro fato interessante. Os EUA enfrentam sua pior crise econômica desde a quebra da bolsa de 29. Barack Obama não estava tão popular e parecia que não era tudo aquilo que todos esperaram. Veio bem a calhar essa notícia do mais procurado criminoso internacional. Barack agora voltou a ter uma popularidade muito grande.
Bom, não achem que estou tendo ideias conspiratórias sobre esse assunto.
Hmm... Quem sabe, pode ser. Achei um site, com um artigo interessante...

http://www.inacreditavel.com.br/novo/mostrar_artigo.asp?id=517

O site contém um artigo bem escrito e com informações interessantes, dizendo que Osama Bin Laden morreu há muito tempo, há quase 10 anos. Não vou dissertar e colocar várias evidências, tecer uma tese, e tudo mais, pois esse nem é meu objetivo. Apenas estou indicando essa leitura que é muito válida.


Enfim... Por que duvidar dos EUA? A nação mais poderosa e soberana de todo o mundo?
E pergunto, por que acreditar? Barack Obama está no poder, seu mandato está quase acabando, o cara ganhou um Nobel da paz, sendo que ele continuou com a ocupação no oriente médio, além de mandar reforços. Não sou contra o Obama, simpatizo muito mais com ele do que com o orelhudo do George Bush, filhinho do George Bush papai.
Porém, temos que entender, essa notícia veio em boa hora. Com a crise econômica, a popularidade em baixa, sendo a morte do Bin Laden parte da única promessa de campanha que o Barack conseguiu cumprir.

E só por isso o cara sai como herói. Bom, tudo bem, Bin Laden foi um homem cruel, fanático e alucinado em suas ideias. Trouxe milhares de mortes lá nos EUA. (Um adendo, no último link que postei nesse artigo, há o questionamento sobre Osama Bin Laden não ter nada a ver com o atentado as torres gêmeas, mas eu estou apenas tomando parte da maioria que acredita que ele foi o responsável, apenas para não desviar o foco)
Agora... E os próprios Estados Unidos da América? Defensores da liberdade, igualdade, fraternidade, ideais herdados da revolução francesa. Eles sim são os grandes carrascos, calhordas e ditadores do século XX.

Primeiro, lucrando rios de dinheiro em vendas de armamentos e suprimentos na primeira guerra mundial. Repetiriam isso na segunda guerra. Desenvolvimento da bomba nuclear, que aniquilaria duas cidades japonesas, Hiroshima e Nagasaki, matando milhares de inocentes civis. Pessoas que nada tiveram a ver com os ataques a Pearl Harbor. A guerra do Vietnã, ataques com bombas napalm, desfolhando florestas, deformando soldados, civis, crianças...
Sem contar qualquer outra guerra ou conflito que os EUA tenham se envolvido.
Hitler foi maligno, Stalin foi cruel, Mussolini foi terrível. Bush, Roosevelt, Reagan e Cia foram MONSTROS...

Mas enfim, cada um com seus heróis. Eu sou mais os japoneses mesmo. Ultraseven venha nos ajudar, por favor! Ou até mesmo os latinos. E agora? Quem poderá me defender? EUUU! O CHAPOLIN COLORADO!

Enfim... Sem mais delongas, decurtas e devaneios, quero deixar vocês com a pulga atrás da orelha. Bin Laden morreu ou não morreu. Se ele morreu, Barack Obama virou o melhor presidente de toda a história dos EUA? Se ele vive, Barack vai ser considerado uma farsa como presidente? O que acham? Vamos polemizar.

Só espero que o Schawznegger não me decepcione quando for eleito presidente!




HASTA LA VISTA! BABY!

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Cursus de sapientia philosophiae buteco: Pseudismos, Modismos e Frescuras


ATENÇÃO: Não costumo usar linguagem ofensiva e palavrões. Entretanto, como a internet é um meio livre e não estarei citando nomes de pessoas físicas ou jurídicas, vou usar muitos palavrões nesse post. Recomendo que tirem as crianças da frente do computador e que tire os mais idosos também. Pronto? Já tirou todo mundo? Então leia essa merda antes que você se arrependa.

Quem me conhece sabe que sou uma pessoa que odeia, e ODEIO mesmo, uma coisinha chamada frescura. Outra coisa que odeio são as modinhas e os "pseudos" qualquer coisa.
Bom, como já devem estar imaginando vim aqui na seção do curso de sabedoria filosófica de buteco falar sobre algumas das coisas que eu mais desgosto:

FRESCURA
MODINHAS
"PSEUDISMOS"

FRESCURA

Em primeiro lugar vamos falar de frescura, bem conhecido popularmente, e vulgarmente, como o famoso "cu doce", ou até mesmo, homofobicamente conhecida como "viadagé" ou "viadagem".
Quando uso qualquer um desses termos não estou fazendo referências as tendências ou opções sexuais de outra pessoa. Tão pouco estou tendo comportamento homofóbico e criticando escolhas pessoais. Utilizo esses termos para designar comportamentos eufóricos ou demasiados ridículos para uma situação simples de resolução pragmática.
Por exemplo:

Quando você comprimenta uma pessoa ela faz cara de nojo? Estou cagado? Com o perdão da palavra. Ou então quando essa pessoa esnoba você ao invés de simplesmente dizer "Bom dia". Sim, a "esnobisse" é outra forma de viadagem, frescura, cu doce, etc.
Podemos também visualizar a imagem daquela pessoa que nunca passou qualquer tipo de necessidade, aperto ou dificuldade material, ou então que sempre teve grana, e que de repente se ve submetida a ter que andar de ônibus ou fazer compras no centro da cidade, ao invés de andar de carro com ar condicionado ou fazer todo e qualquer tipo de compra no shopping center.
Tudo bem que essa pessoa possuia um alto padrão de vida e não é fácil se adaptar a novos desafios. Mas por favor! Pega a merda do ônibus e vai na porra da cidade, sem ficar abrindo a bosta da matraca pra reclamar, senão eu pego a buceta da minha mão e enfio no pé da suas "zoreia".

Existem muitas outras formas de frescura que nem sei compensa citar, tudo isso somente irá aumentar meu nível de raiva contra a raça sub-humana.

Modismos

Modismos, mais vulgarmente conhecidos como modinhas, são as tendências populares de uma época. Desde que eu me conheço por gente já vi dezenas e mesmo eu sendo esse poço de sabedoria e cultura... hmmm, quero dizer, mesmo eu sendo uma pessoa de bom senso e relativamente culta, se comparado a maioria da população brasileira, já fui vitíma, ou melhor, já fiz parte de algumas modinhas.

Mas o que me irrita é modismo por modismo. Eu já tive tamagochi, já joguei tazo e já assisti pokemon. Eu era criança, tudo bem que as vezes quando passa pokemon eu ainda assisto, mas isso não vem ao caso. O que importa é o fato de que muitas pessoas embarcam na moda por vontade do meio e não delas mesmas.

Ai alguém me pergunta:

Ei Vaco! Mas você está dizendo que as pessoas não tem livre-arbítrio? Que elas não podem decidir por si mesmas? Que a vont...

CALADO!

Bom, eu quero dizer várias coisas, mas deixe eu explicar melhor o que é que eu penso a respeito disso, sem desrespeitar a inteligência, ou falta, de ninguém e sem passar por cima de alguma teoria da comunicação.

O ser humano é um ser vivo, racional, com telecefalo altamente desenvolvido e polegar opositor.
(Aproveito o ensejo e peço que assistam o documentário Ilha das Flores, do qual tirei a frase acima, uma visão muito interessante sobre o ser humano e seu comportamento, agora voltando ao assunto...)Temos a capacidade de observar, entender, ponderar, comprovar, estudar, criar, vivenciar, deduzir, induzir, modificar, entre outras, que aliadas ao livre arbítrio comandam nossas escolhas e decisões do dia a dia.
Entretanto a maioria das pessoas parece simplesmente aceitar aquilo que nos é empurrado por todos os lados. Sem antes questionar o valor daquilo.
Lógico, tem gente que gosta de funk carioca, música eletrônica, braceletes coloridos, pantene e revistas de fofoca porque gosta e sabe que gosta daquilo por algum motivo que só ela e Deus sabem e eu não faço questão nem de imaginar. Entretanto é uma minoria infima.

Imagino eu... o que gera esse tipo de situação?
Hmmm... Pobreza? Formação cultural? Criação dos pais? Escola? Política? A televisão?

É teórico e é relativo... Então não cabe a mim decidir. Estou apenas, como diria o grande Mussum, Potrestando! Eu só potrestis! Eu só potrestis!
E agora meus amigos...agora vem o pior!

PSEUDISMOS!

Não confundir com pseudônimos. Pseudismos é um neologismo que vou usar para me referir aquelas pessoas que fingem ser algo ou que imaginam ser algo e não são.
A pior espécie de pseudistas, seriam os pseudo-intelectuais e os pseudo-engajados.


Mas o que é o pseudista? Como identificá-lo?
Pseudointelectuais, pseudo engajados, pseudo eruditos, pseudo poetas, pseudo qualquer raio que seja são geralmente oriundos da classe média. Tem gostos ao mesmo tempo estranhos mas com base bem popular. Não se aprofundam em nada e adoram frases de efeito, jargões e pensamentos prontos. Citam escritores, pensadores, filosofos, músicos e celebridades sem pestanejar. Adoram apontar o óbvio e como Nietzsche afirmaria: "Quem sabe que é profundo busca a clareza. Quem deseja parecer profundo para a multidão procura ser obscuro porque a multidão toma por profundo aquilo cujo o fundo não vê, ela é medrosa... exita em entrar na água"

O mais engraçado é que Niezstche é uma das leituras favoritas dos pseudistas, muito embora a maioria nem tenha lido Niezstche. Alguns podem até ter lido "Quando Niezstche chorou" e acreditar que aquilo é uma obra dele e pior, uma obra não-fictícia.

Enfim. Virou modismo ser pseudo alguma coisa.
Citar Niezstche, falar enfadonhamente sobre um assunto sem propósito de esclarecer ou defender um ponto de vista, apenas por se mostrar prolífico, quando na verdade está sendo infrutífero. Tudo isso e muito mais virou coisa de gente oca, gente vazia e que não tem mais o que fazer senão falar abobrinhas.

Merda por merda, prefiro ouvir as minhas.

E mesmo com toda a superficialidade com que tratei esses assuntos, ainda asim me considero um vingador contra esse tipo de gente mediocre.

Sem mais delongas, com mais decurtas, fica aqui um protesto pacífico de um cabra muito homi que não aceita a idiotice presunçosa da atual juventude. Sim, idiotice presunçosa, pois existe a boa idiotice, que é a que eu tento divulgar todos os dias. A idiotice do bem estar de ser uma pessoa espontânea e sem complexos fúteis.


PEIDO DO GORDO! UOOOOU!

terça-feira, 26 de abril de 2011

Limbo Musical: Rock Progressivo - EDIÇÃO EXTRA ORDINÁRIA

Frank Zappa e as mães da invenção: Psicodelia, progressivo e abstrações concretas


Estou interrompendo momentaneamente minha saga especial sobre o rock progressivo para apresentar, creio que esse senhor que irei comentar dispensa apresentações, mas enfim, e comentar um pouco sobre essa figura tão carismática e genial que foi Frank Vincent Zappa, ou mais normalmente, Frank Zappa.
Seria impossível e até mesmo injusto, falar de rock progressivo e esquecer desse que foi um dos maiores contribuíres do gênero Embora nem sempre se ligue o nome Frank Zappa ao rock progressivo, é inegável sua importância para o estilo. O fato de Zappa não mostrar uma definida linha musical talvez seja o culpado dele não ser ligado ao rock progressivo tão fortemente quanto bandas como Pink Floyd, Genesis ou Yes, mas não podemos negar que o homem foi um dos mais inventivos e excêntricos músicos de sua geração, e por que não dizer de todos os tempos.

As influências de Zappa são impares e definiram sua formação musical. Do Rythm and Blues da década de cinqüenta até a música de vanguarda e erudita, Zappa mesclou tudo isso ao rock pesado, ao blues e ao jazz, transformando qualquer forma de som criado pelo homem (ou por alienigenas, máquinas, animais, minerais, vegetais, etc.) em forma musical.

Durante sua adolescência e começo da idade adulta ele foi parte de várias bandas, tocando bateria, guitarra e cantando. Chegou a se apresentar em um programa de auditório no qual tocava música com uma bicicleta. Entretanto sua fama começaria apenas com o grupo Mothers of Invention. Em 1966, em pleno auge da Beatlemania, Frank Zappa and the Mothers of Invention, lança o disco "Freak Out", já mostrando que não veio para brincadeiras. Psicodélico, inovador, roqueiro e desprentecioso. Agora os fãs de Beatles que me perdoem, mas Frank Zappa em apenas um disco resumiu tudo que os Beatles até então tinham feito e fariam até o Sgt. Peppers, lógico que com Frank Zappa no comando tudo foi além, e "Freak Out" se tornou um disco "cult" e ao contrário do rock "bobo" da época, possuia canções de alto nível estrutural e muito originais. Tanto que Zappa teve que "ler" as canções para os músicos poderem gravar, coisa que para um álbum de rock and roll era quase impensável.

Em 1968, ano seguinte ao lançamento do Sgt. Pepper Lonely Hearts Club Band, dos Beatles, Frank Zappa and the Mothers of Invention lança o disco, "We're only in for the money", com uma capa satarizando o "Sgt.Peppers", que inclusive foi censurada a pedido, do ainda não, Sir Paul McCartney. O disco era um verdadeiro esculhacho sonora. No bom sentido. Com canções muito complexas, arranjos vanguardistas e algumas das passagens musicais mais interessantes de toda a década de sessenta. Lógico, os Beatles não foram os únicos provocados, toda a contra-cultura hippie e a geração "flower power" foi criticada e satirizada. Valendo lembrar para os desinformados, que Zappa era contra o uso de drogas, dizendo que elas afetavam sua criatividade e classificava seus usuários como "babacas em ação". Penso eu que uma critica dessa tem a ver com toda a contradição da cultura hippie, que pretendo abordar em outro texto.

Na década de setenta o Mothers of Invention se dissolveria e Zappa seguiria carreira solo, tendo disco ou outro sido gravado com ajuda de novas formações do Mothers of Invention.
A questão é que Zappa mudou radicalmente o conceito de musicalidade. Ele não queria agradar, não queria soar melódico ou harmonioso. Não tinha interesse algum em vender 100 milhões de discos ou zero. Não queria ser um membro da contra-cultura, muito menos um membro da cultura popular. Ele queria fazer música diferente e atemporal, e conseguiu.


Eu poderia traçar linhas e linhas de informações sobre Frank Zappa. Poderia dedicar uma saga única e exclusiva aqui para esse nosso amigo fenomenal. Mas vou apenas terminar essa seção com algumas coisas interessantes. Irei fazer um breve comentário sobre meus discos favoritos do Zappa.
Colocarei também videos de algumas canções emblemáticas do grande Zappa. E algumas frases marcantes que o mestre proferiu.


Bom, até o próximo Capítulo da Seção Limbo Musical, na qual vamos continuar a saga do rock progressivo!

Frank Zappa, Discos favoritos do VACO:
1966 - Freak Out


Disco que revolucionou a música. Até então, provavelmente, o disco mais complexo e interessante de rock. Anos luz a frente de "Revolver" ou "A Quick One". Um dos primeiros discos conceituais e duplos da história do rock.
1968 - We're only in it for the Money


Disco que, supostamente, teve sua capa censurada a pedido de Paul McCartney, pois satirizava a capa do clássico Sgt.Peppers dos Beatles e toda a cultura hippie, flower-power. Musicalmente é um disco que mistura rock and roll com elementos de música vanguardista, R'n'B dos anos cinquenta, surf music, doo-woop e experimentos sonoros. Algumas das passagens mais interessantes da música da década se sessenta se encontram nesse disco.

1970 - Hot Rats

Primeiro disco de Zappa sem os Mothers of Invention e possivelmente o primeiro disco comercializado a ser gravado em seis canais (até então o costume era gravar em quatro).
Quase inteiro instrumental, o disco é menos experimentalista que outros e mais progressivo. Mostrando em clássicos como "Peachs en regallia" que Zappa era um dos maiores nomes da música.

1970 - Chunga's Revenge


Uma abordagem próxima ao Hot Rats. Entretanto com mais enfase em guitarras pesadas. Algumas músicas como Transylvania Boogie e Road Ladies mostram um lado bem roqueiro de Zappa.

1973 - Over Night Sensation


Outro disco de Zappa que se remete demais ao Rock progressivo.
Muitos fãs dizem que é um álbum controverso, pois se comparado aos anteriores é muito mais acessível, musicalmente falando. Na minha opinião, apesar de elementos mais simples, menos colagens e experimentos musicais, Over Night sensation é um dos melhores discos de Zappa, com alguns de seus maiores clássicos, como Camarillo Brillo, I'm the slime e Zomby Woof.

1974 - Apostrophe (')
Apostrophe (') é um disco que embalou no sucesso de ONS. Tornou-se o maior sucesso comercial de Frank Zappa nos EUA. Mesmo assim é um disco experimentalmente mais rico que ONS. Com músicas complexas e diferentes, com letras, ainda, mais bizarras e obscuras.

1979 - Sheik Yerbouti


O disco de maior vendagem de Zappa, com mais de dois milhões de cópias no mundo todo. Músicas menores, mas não menos sofisticadas. O ponto forte do disco é o humor, ainda mais forte, mais satirico e mais presente.

1979 - Joe's Garage - Acts I, II and III

Opera Rock lançada por Frank Zappa. Indiscutivelmente um dos mais complexos e mirabolantes trabalhos lançados pelo mestre. A história de Joe, um jovem que se aventura pelo mundo da música com sua banda e descobre a podridão da política e da humanidade. Meu disco favorito do Zappa.

1983 - The Man From Utopia


Segundo disco do Frank Zappa com Steve Vai na guitarra. Um disco um tanto quanto diferente, menos conceitual, embora o nome possa sugerir o contrário, que o restante de sua obra. Musicalmente falando existem diversas influências, desde suas raízes no R'n'B e Doo-Woop, música mais vanguardista e rock mesclado ao blues e jazz.

Algumas frases emblemáticas:

"A mente é como um pára-quedas. Só funciona se abrí-lo."

"Droga não é o mal. A droga é um composto químico. O problema começa quando pessoas tomam drogas como se fosse uma licença para poderem agir como babacas."

"Conduzir uma orquestra é abanar as mãos ou um pedaço de pau, criando desenhos no ar, onde são interpretados como mensagens musicais por gente de fraque, que preferiria estar pescando."

"Sem música para decorar, tempo é só a monotonia de prazos de entregas e contas à pagar."

"Sem um desvio do normal, progresso é impossível."

"Se você quer trepar, vá à faculdade. Mas se você quer aprender alguma coisa, vá à biblioteca."

"Se você acabar com uma vida tediosa e miserável porque você ouviu seus país, seus professores, seu padre ou alguma pessoa na televisão, dizendo para você como conduzir a sua vida, então a culpa é só sua e você merece."

"Meu conselho para quem quer ter uma criança sadia e feliz é mante-la o mais longe possível de uma igreja. Crianças são ingênuas e confiam em todo mundo. Escola já é ruim mas se levá-la para a igreja, então está querendo mesmo problemas."

"Estupidez até pode ter um certo charme. Ignorância não."

"Alguns cientistas acreditam que hidrogênio, por ser tão abundante, é o elemento básico do universo. Eu questiono este pensamento. Existe mais estupidez do que hidrogênio. Estupidez é o elemento básico do universo."

"Existe mais canções de amor do que qualquer outro tipo. Se canções influenciasse as pessoas, amaríamos uns aos outros."

"Pessoas consomem produtos via respiratória para poderem diminuir seu nível intelectual e assim poderem se sentir parte da turma. Afinal, ninguém gosta de andar com quem é mais inteligente do que você. Isto não é divertido."

Vídeos:

Why does it hurt when i pee?

Joe's Garage

Bobby Brown

Zomby Woof

King Kong